28 de junho de 2024

AM – a realidade estava guardada para o fim

A política pombalense caiu numa pasmaceira completa, pavorosamente monótona e desajeitadamente insípida, que desinteressa até aos mais interessados. Num ápice, passámos do mais maçante despotismo para o mais estéril desportivismo, protagonizado por criaturas que não nos representam, nos não conhecem nem nos querem conhecer, receosos de que os conheçamos a eles(as).

As reuniões da “Junta” - executivo municipal – tornaram-se intelectualmente insuportáveis, com figurantes protegidos por um pacto de “não-agressão” que só beneficia o fraco poder. As reuniões da Assembleia Municipal deslizam penosamente para verdadeiros exemplares de assembleias de freguesia, monopolizadas pelos presidentes de junta - coisa nunca vista nesta terra e em terra alguma. Resultado de uma maioria desinteressada e de uma minoria debilitada; de onde só sobressaem os Pimpões, mais pelos modos e tom que pelo resto. 

Mas a realidade é áspera, nomeadamente para mentes balofas. O dotor Pimpão pode continuar imerso na bolha mediática que ele próprio criou e insufla, iludido pelo efeito mágico das festas e eventos, inebriado pelos muitos milhões que sistematicamente apregoa, mas uma coisa é certa: a realidade será sempre a realidade, senão para o iludido, pelo menos para quem a sente.

No meio de tanta banalidade e obscenidade, untada com banha (bajulação) rançosa, ainda surge, de vez em quando, uma voz lúcida, que expõe a realidade, ou parte dela, como deve ser, sem cerimónia nem brandura. Foi o que fez o presidente Humberto, falando sobre o projecto ECO Freguesias, quando afirmou que o executivo prometeu muito mas “em três anos não conseguiu colocar nenhum Ecoponto na freguesia de Almagreira”, e noutras, porque o que interessa é a bandeira - um desleixo, entre muitos, com o essencial.

Sigam as festas, e os eventos.

27 de junho de 2024

Pimpão chuta com o pé que tem mais à mão


 


A primeira página do Região de Leiria desta semana aparece nas bancas travestida de caderneta de cromos. Em primeiro plano, o nosso Super Pimpão. 

Ainda embriagado pelo sucesso da Pombal Cup (que teve a proeza de colocar até um antigo adversário como Aníbal Cardona a tecer loas ao folclore 'desportivo' que gostamos de pagar aos outros), mal refeito do fogo de artifício e de mais uma festa, em que até finos tirou, o nosso autarca é a estrela maior da reportagem do RL com uma mão cheia de presidentes. Foi ele o escolhido para capa. E vejam só, a ironia: Pombal não é capa de jornal pelo inauguração de um qualquer equipamento (cultural, desportivo, turístico). Não é capa pela atração de um qualquer investimento que aqui criasse postos de trabalho e fixasse emprego. Tão pouco pela mudança de qualquer paradigma. É capa porque o presidente da câmara dá chutos na bola. Máquina. Campeão. 

Espreitando a Assembleia Municipal desta tarde, é muito óbvia a realidade paralela em que estamos a viver no Largo do Cardal. Pimpão disse a da altura que só lhe dá vontade de rir. Que Deus ta conserve Pedro. A nós dá-nos muitas vezes vontade de chorar. Mas depois de assistirmos ao notório ambiente de cortar à faca que perpassa da expressão das vereadoras, e sobretudo aos olhares da vereadora Isabel Marto...retiramo-nos de fininho. 

20 de junho de 2024

A bola de sabão rebentou

Ontem abordei, aqui, a formação da última bola de sabão da política pombalense. 

Hoje comunico-vos que a bola de sabão rebentou. Não como a "justificação" apresenta o patético episódio, mas como aqui foi descrito.



Os justificativos soam-nos aos ouvidos como badaladas de um dobre de finados.

Do néscio episódio não virá mal nenhum à terra.  

Enterrem-se as ilusões e as misérias. Paz às suas almas.

19 de junho de 2024

Dotor Coelho – o salvador

O dotor Coelho julga-se, há muito, imbuído do dever supremo de enfrentar e derrotar o dotor Pimpão nas urnas. Nos últimos tempos, o que fez na política pombalense resume-se a esse desígnio, que (só ele) viu escrito nas estrelas.


 

Ontem deu mais um passo para o precipício: reuniu com três almas penadas - um tarólogo e dois anões-políticos - e decidiu, logo ali, apresentar a sua candidatura à presidência do partido (PS) e da câmara municipal, e convocar uma conferência de imprensa para anunciar as “boas-novas”. Do menu faz (ou faria) parte a apresentação do cabeça de lista à Assembleia Municipal (AM). Mas antes de arrancar, dois fortes reveses ocorreram: a primeira escolha rejeitou o convite, e a segunda também. Nada que desanime o dotor Coelho, homem para quem os sonhos e as ilusões políticas são como as bolas de sabão nos lábios de uma criança – fazem-se e desfazem-se continuamente com um pequeno sopro. 

Mas convenhamos: o dotor Coelho não é um joão-ninguém qualquer; é homem decente e respeitado, de boas famílias, de qualidades incomuns e congénitas, bom falante, mas conhecido pelos seus caprichos, altivez e suspicácias. Um bom-cristão que encarna na plenitude o antigo cavaleiro andante, abnegado lutador contra moinhos de vento. Um inconseguido cheio de qualidades. Um profeta sem rebanho.

Que Deus o acompanhe neste sacrifício.

18 de junho de 2024

Revisão do PDM – uma oportunidade perdida?

Por simples curiosidade - não tenho nenhum interesse particular na coisa - fui à sessão de esclarecimento e apresentação pública da 2.ª Revisão do Plano Director Municipal (PDM) promovida pela Câmara e Junta de Freguesia de Pombal, hoje, às 19 horas, no mini-auditório do cine-teatro. Saí de lá com uma pequena surpresa, sala composta, e uma confirmação/desilusão.



O Plano Director Municipal (PDM) é, por definição, o principal instrumento de organização e gestão do território municipal. Por conseguinte, deveria estabelecer o quadro estratégico de desenvolvimento do município, nas diferentes dimensões da gestão do território.

É hoje comummente aceite que o uso do território é o principal factor de desenvolvimento de um qualquer território, porque a forma como é estabelecido e orientado gera inevitavelmente eficiência ou ineficiência. E é a eficiência ou a ineficiência geradas que trazem progresso ou retrocesso.

O primeiro PDM foi um simples proforma que não acrescentou nada ao concelho; a não ser, ser o alvará indispensável para aceder aos fundos comunitários. O segundo, que agora se inicia e entrará em vigor no 2.º semestre de 2024, seguirá as mesmas passadas e resultará no mesmo: nada potenciador o concelho. Ficou claro, na sessão, que a câmara não estabeleceu nenhum objectivo ou sequer propósito claro que enquadre o documento; mas já fez aprovar o regulamento da 2.ª alteração do PDM, documento com 133 páginas que estabelece critérios de licenciamento para tudo e mais alguma coisa. 

Por exemplo, choca quem olha para estas coisas com algum sentido crítico que os responsáveis políticos incentivem mais excepções na construção de edificado em relação ao estabelecido, e muitas vezes não cumprido, quando se sabe que o principal factor gerador de ineficiência neste  concelho (e noutros) é o povoado demasiado disperso, fomentado pelo Estado Novo e deixado correr desleixadamente pelo poder local democrático. 

Pode andar-se com a palavra estratégia todos os dias e horas na boca; quando não se tem sentido e pensamento estratégico nada feito, nesta e nas dimensões subsequentes.

13 de junho de 2024

Obras nas Meirinhas – Coisas à Pança

“A quem hás-de castigar com obras, não trates mal com palavras, pois bem basta ao desditoso a pena do suplício, sem o acrescentamento das injúrias”.

                                            - Conselho de D. Quixote ao Pança; in D. Quixote. 

Apressadamente, porque o jantar/comício da AD a tal obrigava, a junta das Meirinhas – João Pimpão – implantou às três pancadas, sem licença e sem autorização das entidades oficiais, um parque de estacionamento em Reserva Agrícola Nacional (RAN) e leito de cheia, nas traseiras do ao Pavilhão Municipal das Meirinhas. O desmando chocou muitos residentes e não residentes; e já mereceu queixa no Ministério Público.



Pelo que se sabe, neste caso a câmara foi simples criada de serviço do presidente da junta. Foi tudo feito em família. Mas perante a sujeira do caso não pode lavar as mãos, ignorar os seus contornos políticos e jurídicos, como se nada tivesse a ver com a coisa. Deve embargar imediatamente a malfeitoria, a fim de salvaguardar a sua competência e autoridade perante o caso e a comunidade. 

Há muito que política pombalense rola sobre o modus faciendi da política do facto consumado - forma ordinária e antidemocrática de administrar e fazer obra. Só assim se percebe que João Pimpão, criatura que nutre enorme desprezo pela lei e pelos modos de actuação democrática, grande inventor de esquemas, atalhos e desvios, e que existe (politicamente) para mandar e estourar dinheiro, se tornasse expoente maior da espécie. Na verdade, uma certa estupidez de espírito tornou-se atributo necessário se não para todo decisor público, ao menos para os que querem apresentar obra e gastar dinheiro sem critério.

Mas desengane-se quem pense que a construção do dito parque de estacionamento em RAN e leito de cheia é uma qualquer precipitação de percurso. Não, não é; é o modus operandi da criatura. São múltiplas as queixas que circulam de boca-em-boca e nos invadem a caixa mensagens; e não se resumem ao desditoso parque, estendem-se à forma como a criatura usa e abusa do poder - que não tem - para alargar arruamentos sem o consentimento dos proprietários afectados e outros desmandos. 


12 de junho de 2024

Comemorar vitórias, enganar derrotas: o que dizem os resultados das eleições em Pombal




No início desta semana lá foi a Câmara para mais um passeio, desta vez na Redinha. E é curioso que a primeira saída do executivo pós eleições europeias (em que o presidente da Câmara e o PSD local tanto se empenharam) tenha acontecido precisamente ao território que menos votos deu ao partido, por mais loas que o presidente da junta lhes teça. 

Esmiuçando o escrutínio, percebemos então que há três freguesias-exemplo, onde o PSD alcança resultados acima dos 50%: Carnide, Abiul e Meirinhas. Ora, nesta última, cujo pavilhão (municipal, portanto tão nosso como lá da terra) se transformou em ninho de vitória laranja, com direito a um parque de estacionamento peculiar...  dá-se o caso paradigmático de ver o PS relegado para um quarto lugar na votação. Ao contrário, na Redinha, o partido (que continua a suportar o autarca local), consegue a sua melhor votação, num empate quase técnico com o PSD, perdão, a AD - o que já acontecera nas legislativas. 

Quanto ao resto, nada de especial a assinalar. É seguirem a comunicação social local nas suas redes sociais, e perceberem o efeito mundo ao contrário, em que os autarcas obedecem aos assessores*, como documenta a parte final deste vídeo, publicado pelo Pombal Jornal. 

*A voz é daquele assessor que, nas vésperas do 25 de abril, reproduziu graçolas sobre atirar comunistas do 7º andar. 




6 de junho de 2024

Pelouros e poleiros: da reorganização dos serviços à trapalhada geral




Eis que junho nos traz novidades, embora pouco frescas e muito menos airosas: Pedro Pimpão acaba de reforçar as suas funções, retirando um conjunto de pelouros às suas vereadoras, assumindo ele mesmo essa responsabilidade. Temos homem, temos presidente!

A partir de agora a vereadora Gina Domingues deixa de se preocupar com a Cultura e Associativismo. Assim como Isabel Marto lava as mãos da Organização Administrativa e Financeira, e Catarina Silva vê-se agora sem a Gestão de Recursos Humanos. Neste baralhar e dar de novo que o presidente experimenta a pouco mais de um ano do fim do mandato, só Pedro Navega escapa à sangria. Ou melhor, ainda sai reforçado (ganha o Trânsito, que até agora estava nas mãos da vereadora Gina). 

Estava bem de ver que aquele elenco de pelouros a metro (50, no total) esticou até não ter mais por onde. E agora, o que fazer? Sobra para quem? Para Pimpão, nosso incansável Pimpão, que entretanto arranjará maneira de distribuir mais tarefas ao vereador oficioso - Marco Ferreira - entre as sessões motivacionais do doutor Agostinho Lopes, diretor-geral, perdão, municipal. 

Aguardamos pois, com toda a expetativa, as explicações que certamente dará aos pombalenses, a propósito desta dança de cadeiras. 



4 de junho de 2024

Meirinhas – o novo cavaquistão

Realiza-se hoje nas Meirinhas o maior evento de campanha do PSD - agora "rebaptizado" AD – para as eleições europeias na região, com as suas maiores figuras do momento: S. Bugalho e L. Montenegro.



Com Narciso Mota, e depois com Diogo Mateus, Pombal conquistou o estatuto de concelho cavaquistão na região. Mas nos últimos anos perdeu o título para as Meirinhas, por mérito dessa outra grande figura local: o presidente da junta João Pimpão.

Não deve ser fácil uma pequena freguesia arcar com esta responsabilidade de realizar a enfiada de grandiosos eventos do PSD nacional na região. Por isso, este esforço e este dinamismo, que belo uso têm dado ao dispendioso pavilhão que muito nos custou, deve ser realçado, e até subsidiado. 

Força João. O PSD está contigo. E nós também.

28 de maio de 2024

Louriçal Rico, Louriçal Pobre





A festa dos 31 anos de reelevação do Louriçal a vila foi um momento insólito: o presidente da junta está apostado em deixar o nome inscrito nas placas, agora que caminha para o final do seu último mandato, e por isso não há tempo a perder. Aproveitando a destemperada ideia desta Câmara de construir parques verdes em todas as freguesias (como se nas freguesias não bastasse manter cuidado o acesso ao verde, felizmente natural, e como se não tivéssemos ao abandono vários parques de merendas, a começar precisamente pela freguesia do Louriçal), ali se gastaram umas centenas de milhares de euros, porque o povo precisa de apreciar a paisagem. O povo, que não foi visto nem achado na "festa" de sábado, mas há-de continuar a pagar estes desvarios. O povo, que há dois anos não tem médico de família, mas pagou um Centro de Saúde de última geração. E agora paga, quando precisa, consultas numa clínica privada, lá na vila. É o conceito de progresso, que até deu nome à farmácia. 

Não vamos aqui esmiuçar os quase750 mil euros ( 747.397,84 €, acrescidos de IVA) que Câmara e Junta esbanjaram ali. Ou os 65 mil que a família Rico Sofia (afastada há décadas do Louriçal) encaixou com a venda dos terrenos, tão pouco tentar compreender o que está por trás desta inusitada ação benemérita, que se traduziu em doar uma parte de um dos terrenos. O que aqui importa é refletir sobre aquilo em que o Louriçal se tornou. Na época em que um presidente-pavão-armado-em-figurão parece letra de forma, não bate a bota com a perdigota. Como é que uma freguesia tão rica em património, culturalmente tão relevante, chega a este estado de ramo de enfeite? Ao presidente da junta colou-se o da assembleia de freguesia (lá na terra o povo acredita que o segundo se prepara para substituir o primeiro), que embora colecione cursos e "livros", entre a pose e as medalhas, não conseguiu ainda disciplinar a junta no que toca à gramática e ortografia. 

No resto, o que não tem remédio remediado está. 



10 de maio de 2024

AM – fraco rei e fraca gente

Uma imagem vale por mil palavras. Vou poupar nas palavras.

Por falta de vontade e pontos de interesse, hesitei postar sobre a última Assembleia Municipal (AM). Mas, pensando melhor, o estado da coisa é digno de nota… 



Já houve tempos em que as reuniões da AM eram o ponto alto da política pombalense: o verdadeiro palco para os representantes do povo exporem as preocupações e as aspirações do povo, com coragem e galhardia. Era ali que se fazia a verdadeira prova de vida (política), se perdia ou ganhava peso político. Ia-se para ali com gosto e alegria, com aquele brilhozinho nos olhos que denota coisa preparada. Ou com o comprimido tomado à entrada.

Actualmente, tudo é diferente… 

A imagem anexa mostra bem o desprazer, penoso e amargurado, que perpassa daquelas almas desencantadas e/ou sofridas, dispersas pelo imenso vazio sem ordem e sem sentido.

No canto de rodapé pode ver-se o que resta do destroçado PS: as 3 Marias abandonadas ao destino.

8 de maio de 2024

O passeio dos alegres




Há uma marca deste executivo que já fica para a história: o passeio, em forma de roteiro pelas freguesias, disfarçado de "visita de trabalho". Pedro Pimpão foi 'beber' alguns tiques popularuchos de Narciso Mota (que intensificou uma iniciativa criada por Armindo Carolino, no século passado) e assim espalha a sua magia. É ele próprio a personificação da 'inspiração para uma vida mágica', que absorveu do mentor. 
Vista de longe, a ideia parece boa: o executivo vai ao concelho real inteirar-se dos problemas reais, mete vereadores, técnicos, presidentes de junta e quejandos num autocarro, e seguem felizes, pela estrada fora. Faça chuva ou faça sol, de mãos nos bolsos ou braços cruzados, não há semana sem passeio. Ele é Carriço, Carnide, Almagreira ou Abiul, ele é serra e é praia, é a vida a acontecer pelas freguesias, numa roda vida que pouco diz ao pacato cidadão. Se não tiver Facebook, só saberá desses movimentos se passar os olhos pelos jornais, que replicam fotos e declarações, embora não de forma tão aprimorada como a rádio, que acumula imagens nas suas redes sociais, como se de informação se tratasse. 
Os desertos de notícias (estudados ao pormenor pela Universidade da Beira Interior, em 2022) hão-de debruçar-se em breve sobre esse fenómeno: territórios que só aparentemente não estão ameaçados. Ou lembra-se o amigo leitor de alguma notícia (de verdade), incómoda para o poder, com pendor de denúncia, nos últimos anos? Ah, para 'dizer mal já há o Farpas'. 
Detive-me, porém, nas imagens divulgadas hoje, um total de 21 fotografias do passeio. No tempo em que os animais falavam, havia nas Redacções uma regra: evitar o 'Portugal sentado' - fotos de salas ou bancadas de gente acomodada. Depois vieram os gabinetes de imprensa com mais gente que qualquer Redação, nalgumas terras (e as redes sociais, esse maná inesgotável). Na nossa, não é preciso ir tão longe. 
O bom das fotos é que quase sempre falam. E as de hoje, da visita à freguesia de Almagreira, mostram que o (nosso) mundo mudou. Dizem-nos que a alegada 'Oposição' está tão empenhada nestas visitas como o poder. Houve um tempo em que o PS/Pombal organizava as suas próprias visitas. Procurava mostrar o que estava por fazer, e apontava soluções. Agora chegámos ao cúmulo do partido que (hipoteticamente)quer ser poder não só acompanhar a caravana com gosto, como até publicar a propaganda nas suas redes sociais! E ai que de quem aponte um defeito, que a cópia, por ser sempre pior que o original, copia também o pior da gestão de redes: responder a quem está descontente. Aqui chegados, concluímos que é muito mais o que os une que aquilo que os separa. Depois não adianta chegar à noite das eleições e levantar um brinde 'à estupidez humana', como aconteceu nas últimas, de má memória.
À frente nesta corrida, vai João Pimpão. Verdadeiro camisola amarela, não só os manda à fava (e eles gostam) como descreve bem a coisa numa palavra: incrível. 

*fotos do Município de Pombal e Facebook da Rádio Cardal 

3 de maio de 2024

Pior presidente

No seu último programa na SIC Notícias, José Miguel Júdice afirmou que “Marcelo Rebelo de Sousa já ganhou o campeonato de pior presidente da República”. O comentador considerou que “a indiscrição e falta de decoro representam uma falha grave do Presidente da República, minando a sua credibilidade e respeitabilidade”. Apesar de óbvia, a constatação é perturbadora pela degradação que provoca no mais alto cargo na nação. Mas já muito antes, quando Marcelo Rebelo de Sousa tinha altas taxas de popularidade, Pacheco Pereira, outro influente comentador do PSD, tinha prognosticado mau fim para o presidente Marcelo, com base na máxima “quem vive pelos media morre pelos media” - devido à sua obsessão pela aparição e opinião. 

Por cá, algo de muito semelhante está a acontecer: o presidente Pimpão tem-se esforçado e conseguirá rapidamente o título de pior presidente da CMP. O estilo e os métodos que tem usado foram plasmados da fórmula usada pelo “mestre”. Consequentemente, o resultado não poderia ser diferente.



O resultado da desvariada comédia e comedoria praticada de forma obsessiva pelo dotor Pimpão&C.ª chegou mais rápido que o esperado: contas no vermelho - 3.6 milhões de euros de prejuízo, o primeiro nas últimas décadas - e uma câmara bloqueada operacional e financeiramente, incapaz de dar resposta às solicitações mais básicas. Mas outra coisa não seria de esperar: sem exigência e priorização da acção e sem compromisso e responsabilização de dirigentes e prestadores de serviços é impossível atingir desempenho aceitável em organizações cuja capacidade de resposta tende a estar sempre aquém das solicitações, como é o caso das câmaras municipais. Mas o presidente Pimpão não tem sequer consciência disto. Inebriado pelo entusiasmo vazio e pelo alegre doudejar por festas e eventos vê méritos e contentamento alheio nas tolices que pratica. Pessoas assim não merecem compreensão nem compaixão… 

O Pedro é um rapaz divertido que gosta de diversão. Se lhe tirassem a capacidade de fazer despesa a sua governação seria inofensiva. Assim é um desastre que perdurará por muito tempo.  

2 de maio de 2024

Canções de Abril #32

 


 “Tanto Mar”, a célebre canção da autoria de Chico Buarque de Hollanda, teve duas versões. A primeira fora lançada logo a 26 de agosto de 1975, em pleno verão quente, e reflete a expetativa e a alegria em relação à situação portuguesa por parte do cantor brasileiro. Mas em 1978, Chico Buarque alterou alguns versos de acordo com a sua visão face aos posteriores desenvolvimentos em Portugal.
Esta música conseguiu fazer o paralelismo entre o período democrático que se tinha iniciado em Portugal  e o regime ditatorial que se vivia no Brasil, e que só terminaria uma década depois.

“Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim”

1 de maio de 2024

Canções de Abril #31

 


“Avante Camarada” é um hino de resistência antifascista e de crença num futuro melhor, e uma espécie de segundo hino do PCP. Canção com música e letra de Luís Cília, e voz de Luísa Basto, editada em 1967 para ser difundida na Rádio Portugal Livre, a partir de Budapeste.

Foi a canção da ordem no 1 de Maio de 74 e nos posteriores primeiros de Maio. Não poderia faltar neste alinhamento do Farpas, no 1.º de Maio. 

30 de abril de 2024

Canções de Abril #30


 

“Liberdade” é uma canção de Sérgio Godinho que nasceu logo após a Revolução de 74; editada no álbum “À Queima Roupa” - o mais político do Mestre de Canções -, em outubro de 74.

É uma canção claramente engajada com o espírito da época, que, pela musicalidade, mensagem política e forte refrão, entrou rapidamente no ouvido das pessoas e era entoada nas frequentes manifestações populares do período revolucionário. 

Pela sucessão de slogans que encadeia, Sérgio Godinho definiu-a como “uma espécie de graffiti em rock”, mas é, acima de tudo, uma canção claramente comprometida com os desígnios da revolução e o valor supremo da Liberdade nas suas múltiplas dimensões.

Viva Abril

Viva a Liberdade

“A paz, o pão

Habitação, saúde e educação”.


29 de abril de 2024

Canções de Abril #29

Um dos símbolos do 25 de Abril de 1974 é o slogan O Povo Unido Jamais Será Vencido”. A frase, popularizada em todo o mundo, poucos meses antes, aquando do golpe militar chileno que derrubou o governo de Salvador Allende, começou por ser o título de uma canção dos colombianos “Quilapayún”. E se, na década 1970, "O Povo Unido Jamais Será Vencido” representava um apelo à participação colectiva para a construção de um mundo melhor, hoje, quando essas ideias parecem utópicas e ultrapassadas, o slogan ainda constitui um factor de mobilização e participação, nas ruas, nas fábricas, ou mesmo nas redes sociais.

“Portugal Ressuscitado”, a primeira canção gravada em Portugal depois do 25 de Abril de 1974, aproveita a popularidade do slogan como mote para expressar os dias de grande euforia que se viviam logo após a revolução. A música é uma composição de Pedro Osório e o poema de Ary dos Santos introduz pequenas subtilezas que permitem que seja cantado de forma mais natural. Foi um enorme êxito e ganhou, por direito próprio, um lugar de destaque na música portuguesa do período revolucionário.

Na gravação, que ocorreu nos primeiros dias da revolução, participaram Tonicha, Fernando Tordo e o grupo InClave, dirigido por Pedro Osório, que contava com a participação de Herman José. É o próprio Herman que escutamos nesta versão.

28 de abril de 2024

Canções de Abril #28

 


“A Cantiga é Uma Arma” tem música e letra de José Mário Branco, foi editada primeira vez em 1975, no LP com o mesmo nome, pelo Grupo de Acção Cultural (GAC), fundado por José Mário Branco, Fausto, Afonso Dias e Tino Flores. É uma canção tipicamente panfletária, de cariz revolucionário,  politicamente comprometida e empenhada com a revolução desencadeada pelo 25 Abril de 74, que rapidamente se tornou um sucesso popular e um instrumento de mobilização popular nas designadas sessões de dinamização cultural. 

Neste raro registo vídeo ao vivo, na Golegã, em novembro de 74, está bem patente o espírito da época.

27 de abril de 2024

Canções de Abril #27

 


Depois da Revolução, Portugal assiste a uma explosão músical. O regresso dos músicos exilados inunda o país de espetáculos, nascem canções, peças de teatro, a poesia está na rua – como titulava Vieira da Silva num dos seus quadros. A Canção "Somos Livres", também conhecida como "A Gaivota” é composta em 1974, interpretada pela atriz Ermelinda Duarte.
O tema celebra a liberdade,  e é considerado um dos mais populares após o derrube da ditadura e fim da censura. A  foi Canção escrita pela própria Ermelinda Duarte, com arranjos de José Cid, e pertencia à peça de teatro "Lisboa 72/74".
Até aos anos 80, Ermelinda Duarte participa em várias peças de teatro, e ainda grava um single, em 1981, com duas marchas. Dedica-se então ao teatro infantil, e à dobragem de desenhos animados. 
Depois do 25 de Abril, a canção “somos livres” torna-se um símbolo para as gerações que cresceram nos anos 70 e 80. 

26 de abril de 2024

Canções de Abril #26

 

A marcha militar que precedia os comunicados do MFA entrou rapidamente no ouvido das pessoas por ser uma melodia alegre, cheia de energia e de fácil memorização. É uma adaptação de uma marcha militar inglesa, intitulada “A Life on the Ocean Wave”, do pianista inglês Henry Russel (1812-1900), a que José Niza agregou, sem grande sucesso, uma letra designada “Desta vez é que é de Vez”.

Na verdade, o que ficou mesmo no ouvido foi a bela marcha, por encarnar o pujante sentimento de libertação. Uma verdadeira música da Revolução.