31 de julho de 2024

Ainda a sessão sobre o Marquês

O gabinete de comunicação (propaganda) do município, ou o próprio propagandeado, emitiu uma nota sobre o conteúdo da sessão de apresentação pública do 1.º Volume da Obra Completa Pombalina. Gente normal faz coisas normais;… 

O normal – o expectável – seria fazer uma nota sobre o que de mais relevante tinha sido dito na sessão, pelos oradores convidados, os ilustres Guilherme Oliveira Martins e Viriato Soromenho-Marques (coordenador científico da Obra). Mas não. A nota cita unicamente o longo rol de banalidades debitadas pelo dotor Pimpão, e destaca a mais tonta das suas ideias: construção de um grande Museu alusivo ao Marquês de Pombal. Já não estamos só no domínio da mais indecorosa propaganda; estamos no domínio do delírio. Um delírio que é preciso “matar” rapidamente; senão ele acredita na tonta ilusão, julga-a virtuosa porque não é contestada, e depois teremos mais um problema grave - mais um elefante branco… Que Deus nos acuda e pare este lunático, que nós não somos capazes.



Há muito sabíamos que estes tipos de eventos não se destinam a um qualquer público ou à divulgação da obra ou do pensamento dos convidados. Há muito sabíamos que o único fito destes eventos é a promoção do dotor Pimpão, através de um circuito de retroalimentação bem conhecido, sem qualquer consideração pelo público e pelos  convidados mais ou menos ilustres.  

Às vezes faço (fazemos) um esforço para poupar o Pedro, nomeadamente nos seus momentos de eufórica felicidade, como agora. Por isso, e por respeito às individualidades convidadas para a dita sessão e pela valia das suas intervenções, no post anterior, resolvi ocultar a tola intervenção do Pedro, mas a realidade é a que é e não há como fugir dela.

Decididamente, o maior “inimigo” (político) do Pedro é ele próprio, a sua avidez por cumprir-se. Há pessoas que são assim, vivem nesta sofreguidão, consomem-se e deixam-se consumir pelas suas ilusões. Se não estivesse como presidente da câmara, não vinha mal nenhum ao mundo o Pedro ser assim... 

30 de julho de 2024

Presidentes de Junta nas Assembleias Municipais – uma excrescência da nossa Democracia

Os contratos interadministrativos celebrados entre as câmaras e as juntas de freguesia – também muito usados por cá – são estratagemas para transferir recursos do orçamento municipal para as juntas de freguesia. Passam pelas Assembleias Municipais como cão por vinha vindimada porque se convencionou que são coisa virtuosa. Mas não são; padecem de vários vícios, nomeadamente formas de subordinação política e fraco controlo do convénio e dos dinheiros públicos.



Agora, a Direcção-Geral da Administração Legal, as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a Inspecção-Geral de Finanças vieram dizer que os ditos contratos são ilegais porque foram votados pelos presidentes de junta com assento nas reuniões das assembleias municipais. Coisa óbvia mas contestada por uma dita Associação Nacional das Assembleias Municipais – há associações para tudo o que possa proporcionar fácil acesso aos orçamentos públicos.

No entanto, a excrescência maior não é votação dos interadministrativos pelos presidentes de junta nas assembleias municipais ou os próprios contratos, é a presença dos presidentes de junta nas assembleias municipais - uma distorção democrática que viola os mais elementares princípios democráticos, como bem explicou, há tempos, o constitucionalista Vital Moreira.  

Por cá, a excrescência vai em crescendo, com os presidentes de junta a monopolizarem o debate político e servindo-se de tudo para esbulhar o orçamento municipal. Então, o das Meirinhas chega a ser obsceno.

29 de julho de 2024

Marquês - lérias não adubam choupas

Acabei de assistir à apresentação do Volume I da Obra Completa Pombalina, sobre a figura do Marquês de Pombal, promovida pelo executivo municipal; não por qualquer admiração especial pelo estadista, que não nutro, mas pela oportunidade de ouvir ao vivo, e sobre esta temática, dois intelectuais de grande craveira: Guilherme d’Oliveira Martins e Viriato Soromenho-Marques (um dos coordenadores científicos da obra) - mais o segundo, por razões ideológicas e intelectuais.



Raramente assisto a este tipo de iniciativas - e pelos vistos não sou o único atendendo à fraca presença de público - pela simples razão de, regra geral, não aportarem grande valor - são pífios desfiles de pequenas vaidades com muito formalismo bacoco. Neste caso, a coisa foi salva pela boa intervenção de Viriato Soromenho-Marques. Guilherme d’Oliveira Martins faltou! 

Julgo conhecer razoavelmente bem o pensamento de Viriato Soromenho-Marques e, por isso, causava-me uma certa curiosidade, e até alguma estranheza, a sua forte ligação a este estudo. Fiquei esclarecido e compreendo a sua admiração pela figura e legado do Marquês, alicerçado no seu forte impulso reformista e construtor. No que se refere ao lado mais tenebroso, a perseguição aos jesuítas, Viriato Soromenho-Marques reparte a culpa pelas duas partes, e afirma que se o conflito tivesse sido evitado Portugal teria avançado um século. Talvez.    

Também conheço – demasiado bem – a afeição milagreira que o poder desta santa terrinha nutre pelo Marquês e como a tenta inculcar na comunidade. Mas sejamos justos e realistas: nada contra o município apoiar estudos credíveis (como parece ser o caso) sobre figuras históricas com ligação à terra; tudo contra a tola fantasia do filão promocional do concelho em torno de figuras históricas, sejam elas Marqueses ou Condes. 

Ou como dizia o pastor: ò malhado (ò Pimpão), lérias não adubam choupas.

Adenda: esta coisa de anunciarem dois oradores, um faltar, e depois aparecerem quatro (!) - cinco se contarmos o presidente - mostra algum amadorismo e grande desprezo pelo público, que parece ser recíproco.

28 de julho de 2024

Pombal nas entrelinhas

Vale a pena visitar a exposição “Pombal: desenhar nas entrelinhas da cidade”, patente nos claustros da câmara; um trabalho desenvolvido por estudantes mestrandos de arquitetura da Universidade de Coimbra (DARQ-UC), sob a coordenação do Professor Nuno Grande, que apresenta um “conjunto de propostas de regeneração da cidade, de forma a ultrapassar linhas-barreira” e vários estrangulamentos. Mas expõe, também, de forma clara, os múltiplos erros e atentados urbanísticos cometidos nas últimas décadas e nos últimos anos, que a orografia e a fisiografia, por si só, não justificam.



Ao contrário de outros planos, este aporta valor e aponta opções e soluções válidas que importa avaliar e programar no tempo. Na verdade, há muito se sabia que a interligação entre poder local e academia (entre problemas estruturais e conhecimento) é mutuamente virtuoso. Então, porquê ir por atalhos quando se pode ir por via directa?

Abordarei o estudo, mais em pormenor, oportunamente; agora é tempo de festa.

23 de julho de 2024

Escola Conde Castelo Melhor – o desgoverno total

São os investimentos públicos (bem feitos) que asseguram a sustentabilidade e a qualidade de vida das populações. Em Pombal, têm sido desastrosos ou desproporcionais. A área da Educação é paradigmática deste funesto quadro, mas não é a pior...

Quando um governo central - do PS - avançou, no início deste século, com o modelo dos pólos escolares e respectivo financiamento, alternativos às obsoletas escolinhas do Estado Novo, Narciso Mota e seus apoiantes recusaram o modelo optando bacocamente pela recuperação das humildes e isoladas escolinhas de aldeia. Resultado: desperdiçaram dinheiro e ficaram sem escolas (dignas). Mais tarde, renderam-se à evidência e às exigências do progresso. Mas não o fizeram numa lógica de utilidade, de resposta prioritária às necessidades; antes pelo contrário, construíram Centros Escolares onde não havia alunos, e deixaram a cidade sem escolas do 1.º ciclo dignas. Só mais tarde responderam - mal - à crescente procura, sem planeamento e já sem apoios.  Por exemplo, a situação mais premente, a Escola Conde Castelo Melhor, sobrelotada e sem condições mínimas para uma efectiva aprendizagem, ficou para o fim! Mas finalmente decidiram avançar para a requalificação...



Como a escola não era do município, resolveram comprá-la. Pagaram 719.000 euros, e acharam que fizeram um bom negócio. Com o edifício em sua posse, decidiram avançar para a requalificação das instalações. Mas nas primeiras vistorias perceberam, tarde demais, que a estrutura do edifício não oferecia condições mínimas de segurança. Vai daí, resolveram não requalificar o edifício mas construir um novo Centro Escolar, com 10 salas de aula, enfurnando mais uma escola num emaranhado de prédios e no centro da cidade. Uma opção démodé, própria de quem não integra no seu pensar critérios de planeamento urbanístico actuais e de adequabilidade dos equipamentos ao seu fim.

Lançado o concurso, entregaram a empreitada por uns módicos 4.400.000 euros!, suportados totalmente pelo orçamento municipal (que não chega para tudo). Como pela boa expectativa preveem que a construção demore dois anos (os prazos para esta gente é coisa meramente indicativa), e porque o município não dispõe de alternativa na cidade, resolveram alugar uma dúzia de salas a uma escola privada, pagando a módica quantia de 312.000 euros, mais obras de requalificação das salas (umas boas dezenas de milhares de euros). 

Tudo somado, e admitindo nenhuma derrapagem nos custos - coisa improvável - cada sala vai ficar acima de 600.000 euros! E assim teremos um Centro Escolar inadequado e caríssimo, que ganhará, com certeza, o título de escola com as salas de aula mais caras do país e arredores. Porque é que isto acontece? Porque temos uma classe política impreparada, que não planeia nem faz contas.

De desvario e de comédia em comédia, assim vai esta santa terrinha.

19 de julho de 2024

Reunião da “Junta”

Na última reunião da “Junta”, ontem, quase só se discutiu o novo slogan/marca da terra. Coisa de somenos que, se não fosse tão aberrante, nem aqui - local dito de má-língua - tinha entrada.

A discussão permitiu (re)confirmar uma evidência que entra pelos olhos de qualquer cego: o dotor Pimpão & C.ª pode praticar as maiores tolices do mundo que perante aquelas duas alminhas do PS parecerá sempre um estratega e um gestor esclarecido.

Vejam, e digam se é ou não é verdade.

18 de julho de 2024

Pombal Centro Natural de Portugal – uma aberração

O dotor Pimpão resolveu torrar 55.000 € num slogan (ele chama-lhe marca) para Pombal – “Pombal Centro Natural de Portugal”. A rapaziada da ETAP fazia melhor, e muito mais barato.



“Pombal Centro Natural de Portugal” é uma aberração completa. O centro natural de Portugal é Vila de Rei, terra do Portugal profundo. Nós somos outra coisa e não somos nada, também por causa destes desvarios. Por isso, custa-nos muito perceber esta abstrusa aberração; se é a natural queda juvenil para a asneira, a impulsividade crónica, a vontade de torrar dinheiro ou a necessidade de o atribuir?

Em Pombal, a abundância de slogans promocionais do concelho é inversamente proporcional à qualidade deles. Já tivemos vários: "Pombal - do Mar à Serra"; "O meu coração bate por Pombal", “Pombal, Cinco Sentidos”, etc. O traço comum é a sua pobreza ritmo-melódica e a dissintonia com a realidade. Morreram todos de morte morrida, à nascença. Curiosamente, o mais badalado foi “Pombal, concelho charneira”, saído gratuitamente da cabeça do presidente Narciso Mota. Não "charneirou", morreu naturalmente com ele. 

"Pombal Centro Natural de Portugal" é só mais um triste episódio desta epopeia do irrisório, feita de pomposa mediocridade e vaidade pacóvia.

9 de julho de 2024

Do estado a que chegámos



Na semana passada houve eleições para os órgãos internos do PSD e do PS, os dois maiores partidos no país, e também (supostamente) em Pombal. 

Por aqui, a política partidária tornou-se desgraçadamente desinteressante - até para nós, aqui no Farpas. Mas o pior, plasmado no que aconteceu nesses actos eleitorais, é o desencanto que se instalou dentro dos próprios partidos: no PS não apareceu ninguém para se candidatar aos órgãos concelhios, no PSD o que apareceu é sintomático desse estado a que chegámos, como bem pode o leitor apreciar: quatro jotas passados do prazo, um presidente da junta que acha que pode chegar a vereador, e o inerente Pimpão. (Humberto é um senhor, e por isso não debandou, já). 

Depois da ‘folha de rosto’, aparecem os empregados da política, passados, presentes e futuros - um misto do gabinete de Diogo Mateus com o de Pedro Pimpão. Já a era de Narciso Mota ficou paradoxalmente guardada para aquele órgão denominado “Conselho Estratégico”. Tudo fresco e vivo para pensar (n)o futuro, devidamente separado do mundo rural, etiquetado de “conselho das freguesias”.

Ora, uma vez arregimentados todos, todos, todos (até o tresmalhado José Gomes Fernandes) sentimos aqui a falta de João Pimpão. Imperdoável. 

7 de julho de 2024

Coisas de cidade de província perdida no tempo

Não tinha que ser assim, mas infelizmente é: Pombal - cidade província – tem uma propensão natural para a parolagem. Mas se já nos chegava e sobrava a nossa, porquê atrair e fomentar a alheia?!


28 de junho de 2024

AM – a realidade estava guardada para o fim

A política pombalense caiu numa pasmaceira completa, pavorosamente monótona e desajeitadamente insípida, que desinteressa até aos mais interessados. Num ápice, passámos do mais maçante despotismo para o mais estéril desportivismo, protagonizado por criaturas que não nos representam, nos não conhecem nem nos querem conhecer, receosos de que os conheçamos a eles(as).

As reuniões da “Junta” - executivo municipal – tornaram-se intelectualmente insuportáveis, com figurantes protegidos por um pacto de “não-agressão” que só beneficia o fraco poder. As reuniões da Assembleia Municipal deslizam penosamente para verdadeiros exemplares de assembleias de freguesia, monopolizadas pelos presidentes de junta - coisa nunca vista nesta terra e em terra alguma. Resultado de uma maioria desinteressada e de uma minoria debilitada; de onde só sobressaem os Pimpões, mais pelos modos e tom que pelo resto. 

Mas a realidade é áspera, nomeadamente para mentes balofas. O dotor Pimpão pode continuar imerso na bolha mediática que ele próprio criou e insufla, iludido pelo efeito mágico das festas e eventos, inebriado pelos muitos milhões que sistematicamente apregoa, mas uma coisa é certa: a realidade será sempre a realidade, senão para o iludido, pelo menos para quem a sente.

No meio de tanta banalidade e obscenidade, untada com banha (bajulação) rançosa, ainda surge, de vez em quando, uma voz lúcida, que expõe a realidade, ou parte dela, como deve ser, sem cerimónia nem brandura. Foi o que fez o presidente Humberto, falando sobre o projecto ECO Freguesias, quando afirmou que o executivo prometeu muito mas “em três anos não conseguiu colocar nenhum Ecoponto na freguesia de Almagreira”, e noutras, porque o que interessa é a bandeira - um desleixo, entre muitos, com o essencial.

Sigam as festas, e os eventos.

27 de junho de 2024

Pimpão chuta com o pé que tem mais à mão


 


A primeira página do Região de Leiria desta semana aparece nas bancas travestida de caderneta de cromos. Em primeiro plano, o nosso Super Pimpão. 

Ainda embriagado pelo sucesso da Pombal Cup (que teve a proeza de colocar até um antigo adversário como Aníbal Cardona a tecer loas ao folclore 'desportivo' que gostamos de pagar aos outros), mal refeito do fogo de artifício e de mais uma festa, em que até finos tirou, o nosso autarca é a estrela maior da reportagem do RL com uma mão cheia de presidentes. Foi ele o escolhido para capa. E vejam só, a ironia: Pombal não é capa de jornal pelo inauguração de um qualquer equipamento (cultural, desportivo, turístico). Não é capa pela atração de um qualquer investimento que aqui criasse postos de trabalho e fixasse emprego. Tão pouco pela mudança de qualquer paradigma. É capa porque o presidente da câmara dá chutos na bola. Máquina. Campeão. 

Espreitando a Assembleia Municipal desta tarde, é muito óbvia a realidade paralela em que estamos a viver no Largo do Cardal. Pimpão disse a da altura que só lhe dá vontade de rir. Que Deus ta conserve Pedro. A nós dá-nos muitas vezes vontade de chorar. Mas depois de assistirmos ao notório ambiente de cortar à faca que perpassa da expressão das vereadoras, e sobretudo aos olhares da vereadora Isabel Marto...retiramo-nos de fininho. 

20 de junho de 2024

A bola de sabão rebentou

Ontem abordei, aqui, a formação da última bola de sabão da política pombalense. 

Hoje comunico-vos que a bola de sabão rebentou. Não como a "justificação" apresenta o patético episódio, mas como aqui foi descrito.



Os justificativos soam-nos aos ouvidos como badaladas de um dobre de finados.

Do néscio episódio não virá mal nenhum à terra.  

Enterrem-se as ilusões e as misérias. Paz às suas almas.

19 de junho de 2024

Dotor Coelho – o salvador

O dotor Coelho julga-se, há muito, imbuído do dever supremo de enfrentar e derrotar o dotor Pimpão nas urnas. Nos últimos tempos, o que fez na política pombalense resume-se a esse desígnio, que (só ele) viu escrito nas estrelas.


 

Ontem deu mais um passo para o precipício: reuniu com três almas penadas - um tarólogo e dois anões-políticos - e decidiu, logo ali, apresentar a sua candidatura à presidência do partido (PS) e da câmara municipal, e convocar uma conferência de imprensa para anunciar as “boas-novas”. Do menu faz (ou faria) parte a apresentação do cabeça de lista à Assembleia Municipal (AM). Mas antes de arrancar, dois fortes reveses ocorreram: a primeira escolha rejeitou o convite, e a segunda também. Nada que desanime o dotor Coelho, homem para quem os sonhos e as ilusões políticas são como as bolas de sabão nos lábios de uma criança – fazem-se e desfazem-se continuamente com um pequeno sopro. 

Mas convenhamos: o dotor Coelho não é um joão-ninguém qualquer; é homem decente e respeitado, de boas famílias, de qualidades incomuns e congénitas, bom falante, mas conhecido pelos seus caprichos, altivez e suspicácias. Um bom-cristão que encarna na plenitude o antigo cavaleiro andante, abnegado lutador contra moinhos de vento. Um inconseguido cheio de qualidades. Um profeta sem rebanho.

Que Deus o acompanhe neste sacrifício.

18 de junho de 2024

Revisão do PDM – uma oportunidade perdida?

Por simples curiosidade - não tenho nenhum interesse particular na coisa - fui à sessão de esclarecimento e apresentação pública da 2.ª Revisão do Plano Director Municipal (PDM) promovida pela Câmara e Junta de Freguesia de Pombal, hoje, às 19 horas, no mini-auditório do cine-teatro. Saí de lá com uma pequena surpresa, sala composta, e uma confirmação/desilusão.



O Plano Director Municipal (PDM) é, por definição, o principal instrumento de organização e gestão do território municipal. Por conseguinte, deveria estabelecer o quadro estratégico de desenvolvimento do município, nas diferentes dimensões da gestão do território.

É hoje comummente aceite que o uso do território é o principal factor de desenvolvimento de um qualquer território, porque a forma como é estabelecido e orientado gera inevitavelmente eficiência ou ineficiência. E é a eficiência ou a ineficiência geradas que trazem progresso ou retrocesso.

O primeiro PDM foi um simples proforma que não acrescentou nada ao concelho; a não ser, ser o alvará indispensável para aceder aos fundos comunitários. O segundo, que agora se inicia e entrará em vigor no 2.º semestre de 2024, seguirá as mesmas passadas e resultará no mesmo: nada potenciador o concelho. Ficou claro, na sessão, que a câmara não estabeleceu nenhum objectivo ou sequer propósito claro que enquadre o documento; mas já fez aprovar o regulamento da 2.ª alteração do PDM, documento com 133 páginas que estabelece critérios de licenciamento para tudo e mais alguma coisa. 

Por exemplo, choca quem olha para estas coisas com algum sentido crítico que os responsáveis políticos incentivem mais excepções na construção de edificado em relação ao estabelecido, e muitas vezes não cumprido, quando se sabe que o principal factor gerador de ineficiência neste  concelho (e noutros) é o povoado demasiado disperso, fomentado pelo Estado Novo e deixado correr desleixadamente pelo poder local democrático. 

Pode andar-se com a palavra estratégia todos os dias e horas na boca; quando não se tem sentido e pensamento estratégico nada feito, nesta e nas dimensões subsequentes.

13 de junho de 2024

Obras nas Meirinhas – Coisas à Pança

“A quem hás-de castigar com obras, não trates mal com palavras, pois bem basta ao desditoso a pena do suplício, sem o acrescentamento das injúrias”.

                                            - Conselho de D. Quixote ao Pança; in D. Quixote. 

Apressadamente, porque o jantar/comício da AD a tal obrigava, a junta das Meirinhas – João Pimpão – implantou às três pancadas, sem licença e sem autorização das entidades oficiais, um parque de estacionamento em Reserva Agrícola Nacional (RAN) e leito de cheia, nas traseiras do ao Pavilhão Municipal das Meirinhas. O desmando chocou muitos residentes e não residentes; e já mereceu queixa no Ministério Público.



Pelo que se sabe, neste caso a câmara foi simples criada de serviço do presidente da junta. Foi tudo feito em família. Mas perante a sujeira do caso não pode lavar as mãos, ignorar os seus contornos políticos e jurídicos, como se nada tivesse a ver com a coisa. Deve embargar imediatamente a malfeitoria, a fim de salvaguardar a sua competência e autoridade perante o caso e a comunidade. 

Há muito que política pombalense rola sobre o modus faciendi da política do facto consumado - forma ordinária e antidemocrática de administrar e fazer obra. Só assim se percebe que João Pimpão, criatura que nutre enorme desprezo pela lei e pelos modos de actuação democrática, grande inventor de esquemas, atalhos e desvios, e que existe (politicamente) para mandar e estourar dinheiro, se tornasse expoente maior da espécie. Na verdade, uma certa estupidez de espírito tornou-se atributo necessário se não para todo decisor público, ao menos para os que querem apresentar obra e gastar dinheiro sem critério.

Mas desengane-se quem pense que a construção do dito parque de estacionamento em RAN e leito de cheia é uma qualquer precipitação de percurso. Não, não é; é o modus operandi da criatura. São múltiplas as queixas que circulam de boca-em-boca e nos invadem a caixa mensagens; e não se resumem ao desditoso parque, estendem-se à forma como a criatura usa e abusa do poder - que não tem - para alargar arruamentos sem o consentimento dos proprietários afectados e outros desmandos. 


12 de junho de 2024

Comemorar vitórias, enganar derrotas: o que dizem os resultados das eleições em Pombal




No início desta semana lá foi a Câmara para mais um passeio, desta vez na Redinha. E é curioso que a primeira saída do executivo pós eleições europeias (em que o presidente da Câmara e o PSD local tanto se empenharam) tenha acontecido precisamente ao território que menos votos deu ao partido, por mais loas que o presidente da junta lhes teça. 

Esmiuçando o escrutínio, percebemos então que há três freguesias-exemplo, onde o PSD alcança resultados acima dos 50%: Carnide, Abiul e Meirinhas. Ora, nesta última, cujo pavilhão (municipal, portanto tão nosso como lá da terra) se transformou em ninho de vitória laranja, com direito a um parque de estacionamento peculiar...  dá-se o caso paradigmático de ver o PS relegado para um quarto lugar na votação. Ao contrário, na Redinha, o partido (que continua a suportar o autarca local), consegue a sua melhor votação, num empate quase técnico com o PSD, perdão, a AD - o que já acontecera nas legislativas. 

Quanto ao resto, nada de especial a assinalar. É seguirem a comunicação social local nas suas redes sociais, e perceberem o efeito mundo ao contrário, em que os autarcas obedecem aos assessores*, como documenta a parte final deste vídeo, publicado pelo Pombal Jornal. 

*A voz é daquele assessor que, nas vésperas do 25 de abril, reproduziu graçolas sobre atirar comunistas do 7º andar. 




6 de junho de 2024

Pelouros e poleiros: da reorganização dos serviços à trapalhada geral




Eis que junho nos traz novidades, embora pouco frescas e muito menos airosas: Pedro Pimpão acaba de reforçar as suas funções, retirando um conjunto de pelouros às suas vereadoras, assumindo ele mesmo essa responsabilidade. Temos homem, temos presidente!

A partir de agora a vereadora Gina Domingues deixa de se preocupar com a Cultura e Associativismo. Assim como Isabel Marto lava as mãos da Organização Administrativa e Financeira, e Catarina Silva vê-se agora sem a Gestão de Recursos Humanos. Neste baralhar e dar de novo que o presidente experimenta a pouco mais de um ano do fim do mandato, só Pedro Navega escapa à sangria. Ou melhor, ainda sai reforçado (ganha o Trânsito, que até agora estava nas mãos da vereadora Gina). 

Estava bem de ver que aquele elenco de pelouros a metro (50, no total) esticou até não ter mais por onde. E agora, o que fazer? Sobra para quem? Para Pimpão, nosso incansável Pimpão, que entretanto arranjará maneira de distribuir mais tarefas ao vereador oficioso - Marco Ferreira - entre as sessões motivacionais do doutor Agostinho Lopes, diretor-geral, perdão, municipal. 

Aguardamos pois, com toda a expetativa, as explicações que certamente dará aos pombalenses, a propósito desta dança de cadeiras. 



4 de junho de 2024

Meirinhas – o novo cavaquistão

Realiza-se hoje nas Meirinhas o maior evento de campanha do PSD - agora "rebaptizado" AD – para as eleições europeias na região, com as suas maiores figuras do momento: S. Bugalho e L. Montenegro.



Com Narciso Mota, e depois com Diogo Mateus, Pombal conquistou o estatuto de concelho cavaquistão na região. Mas nos últimos anos perdeu o título para as Meirinhas, por mérito dessa outra grande figura local: o presidente da junta João Pimpão.

Não deve ser fácil uma pequena freguesia arcar com esta responsabilidade de realizar a enfiada de grandiosos eventos do PSD nacional na região. Por isso, este esforço e este dinamismo, que belo uso têm dado ao dispendioso pavilhão que muito nos custou, deve ser realçado, e até subsidiado. 

Força João. O PSD está contigo. E nós também.

28 de maio de 2024

Louriçal Rico, Louriçal Pobre





A festa dos 31 anos de reelevação do Louriçal a vila foi um momento insólito: o presidente da junta está apostado em deixar o nome inscrito nas placas, agora que caminha para o final do seu último mandato, e por isso não há tempo a perder. Aproveitando a destemperada ideia desta Câmara de construir parques verdes em todas as freguesias (como se nas freguesias não bastasse manter cuidado o acesso ao verde, felizmente natural, e como se não tivéssemos ao abandono vários parques de merendas, a começar precisamente pela freguesia do Louriçal), ali se gastaram umas centenas de milhares de euros, porque o povo precisa de apreciar a paisagem. O povo, que não foi visto nem achado na "festa" de sábado, mas há-de continuar a pagar estes desvarios. O povo, que há dois anos não tem médico de família, mas pagou um Centro de Saúde de última geração. E agora paga, quando precisa, consultas numa clínica privada, lá na vila. É o conceito de progresso, que até deu nome à farmácia. 

Não vamos aqui esmiuçar os quase750 mil euros ( 747.397,84 €, acrescidos de IVA) que Câmara e Junta esbanjaram ali. Ou os 65 mil que a família Rico Sofia (afastada há décadas do Louriçal) encaixou com a venda dos terrenos, tão pouco tentar compreender o que está por trás desta inusitada ação benemérita, que se traduziu em doar uma parte de um dos terrenos. O que aqui importa é refletir sobre aquilo em que o Louriçal se tornou. Na época em que um presidente-pavão-armado-em-figurão parece letra de forma, não bate a bota com a perdigota. Como é que uma freguesia tão rica em património, culturalmente tão relevante, chega a este estado de ramo de enfeite? Ao presidente da junta colou-se o da assembleia de freguesia (lá na terra o povo acredita que o segundo se prepara para substituir o primeiro), que embora colecione cursos e "livros", entre a pose e as medalhas, não conseguiu ainda disciplinar a junta no que toca à gramática e ortografia. 

No resto, o que não tem remédio remediado está.